Contigo encontrei forças pra mudar No teu espelho vi meu rosto mais feliz Lembro das noites da paulicéia dos ensaios de um verão E eu nunca mais seria o mesmo, desde então que um brilho estranho me tocou...
E quem te conheceu não esquecerá Tua coragem e loucura de se dar na poesia, tua alegria e solidão teu generoso coração te deste à luz de ser o eterno sonhador Tua presença não morreu com teu corpo.
Longe demais foi teu caminho e breve demais teu tempo aqui Longe daqui onde tu estás Onde vai a canção
Vou ficar pensando em ti é impossível não ter saudade...
Quando criei esse blog, quis que ele fosse um espaço para manter minha família e meus amigos mais próximos de mim, visto a distancia geográfica que nos separa depois que fui pra Campo Grande. Portanto, nunca me preocupei em fazer reflexões sérias ou quaisquer tipos de comentários sobre esse mundo que nos rodeia (mas também nunca cheguei a ser crucificado por escrever minhas bobagens, é fato). Mas o que escrevo a seguir tem um tom diferente de tudo que já apareceu aqui e diz respeito aos meus profundos sentimentos como jornalista, profissão que escolhi para fazer carreira, que escolhi por me completar.
Todo mundo já sabe que o STF votou a exigência do diploma para o exercício do jornalismo. Todo mundo sabe que o resultado disso foi a queda da obrigatoriedade do diploma. Todos sabem disso porque não se fala de outra coisa. Obviamente que as opiniões são bastante divergentes, porque os pontos de vistas são amparados na defesa de diversos interesses, muitos deles pessoais. E, claro, eu também tenho os meus.
As justificativas para a queda do diploma são muitas, mas as principais dizem respeito à liberdade de expressar-se e à necessidade de conhecimentos específicos. Mas eu pergunto a todos: o que é ser jornalista? É ser detentor de um conhecimento peculiar a determinada área? É ser especialista em música, política, gastronomia, economia ou esporte? Jornalismo é liberdade de expressão?
Enquanto repórter do caderno de cultura Vida & Arte, no jornal O Povo, de Fortaleza, posso dizer que pelo menos quintupliquei meus conhecimentos sobre as diversas áreas culturais, como cinema, teatro, TV, Internet e, principalmente, música. Esse conhecimento adquirido se deu tanto através do que as próprias pautas proporcionavam como do meu interesse pessoal em aprender mais sobre os assuntos (além do mais, o santo Google está aí e Deus sabe como eu sou curioso...). Aprendi muito e esse conhecimento se tornou um diferencial. Ou seja, o próprio jornalismo me tornou especialista, embora eu não seja ainda um Luciano Almeida, um Jamari da vida... Por isso que acho que, para ser jornalista, não é preciso ter o conhecimento específico de pronto porque isso é, na verdade, uma consequência do nosso trabalho. E, com os anos na redação e toda a vivência que o apurar diário me proporcionou, passei a entender que o necessário é ter disposição para investigar e para entender do assunto antes de publicar sua matéria. Aliás, o imprescindível no fazer jornalístico é CONSEGUIR TRADUZIR UMA INFORMAÇÃO ESPECÍFICA de forma que qualquer um possa compreendê-la.
Eu, pessoalmente, acho que não é o diploma que constrói um jornalista, mas sim um processo onde talvez seja necessário o dom, a vocação, aptidão ou coisa do tipo. Não que a "não-exigência" do canudo faça de qualquer um jornalista, pois para tanto é preciso ser crítico, escrever bem, dedicar-se a este fazer de forma a tê-lo como prioridade na vida profissional (nada de médico e jornalista nas horas vagas. Ou é médico, ou jornalista) e ter vivência dele. Isso inclui ter ética, entender da técnica, sempre levar em consideração todas as partes envolvidas numa determinada notícia e ser extremamente responsável com os juízos que afirma em seus artigos. Tendo isso, no meu entendimento, está apto a ser jornalista, com ou sem diploma. Aliás, por experiência própria, digo que as redações de jornais me fizeram muito mais jornalista que a própria faculdade, pelo menos no tocante às técnicas. Então, para que diploma?
Respondo. Para estimular nossa mente, assim como todo ou qualquer estudo. Aí é que está. Embora eu entenda que o diploma não é condição sine qua non para ser jornalista, entendo que ele é fundamental na formação profissional e é muito mais que um diferencial. Não acho que ele tenha perdido seu prestígio e jamais direi que joguei quatro anos no lixo (ou 60 mil reais, caso o custeio integral do meu curso tivesse saído do meu bolso). Meu diploma continua sendo símbolo dos maravilhosos anos que passei na Universidade Federal do Ceará, discutindo jornalismo diariamente, pensando pautas, idealizando a notícia, rompendo com o lide, encontrando novas searas no mundo da informação. Sem meu diploma, eu jamais teria tido todas as oportunidades que tive, simplesmente porque não estaria preparado intelectualmente para as dimensões do jornalismo que encontrei ao trocar os bancos da academia pelas cadeiras tortas das redações.
Entretanto, num pseudopaís como o nosso, a não-exigência de um diploma para exercer jornalismo prejudica bastante a categoria, e como um todo, para diplomados ou não. Primeiro porque as empresas são completamente capazes de contratar pessoas despreparadas para exercerem o jornalismo seja em função do possível baixo salário ou em função de “favores” (clássico caso do filho de fulano, afilhado do primo do dono do jornal, que nunca estudou na vida, nunca quis ovo com nada e conseguiu uma "oportunidade" como jornalista. Quem nunca viu isso que atire a primeira pedra). Segundo porque se abre, aí, uma brecha para a exploração da categoria. Vejamos:
Estamos numa seleção de jornalista para determinada vaga. Eu tenho o dom de "traduzir", escrevo bem, sou diplomado, cobro X (uma vez que X é a quantidade mínima, menor que isso eu perco minha dignidade!). Outro candidato tem o "dom", também escreve bem, não tem diploma e cobra metade, um terço do que eu cobraria... Quem o dono da empresa vai preferir? Resultado: temos um talentoso jornalista diplomado desempregado e um jornalista de registro precário com um sub-emprego, no qual trabalha demais e recebe de menos... Alguém tá ganhando com isso? Só o dono da empresa, claro.
É sabido que, para retirar o registro precário nunca foi preciso ter o diploma e que por isso meu exemplo dado acima cairia por terra, visto que sempre houve a opção dos jornais de contratarem não diplomados, mas não é bem assim. Tanto os jornais contratantes como os jornalistas de registro precário estavam passíveis de processos por desempenho ilegal de profissão, falsidade ideológica dentre outros. Digo isso porque diversos colegas que se atreveram a assinar artigos como profissionais antes da formatura sofreram estes procedimentos. Ou seja, de uma forma ou de outra, a lei atualmente revogada inibia o registro e exercício da profissão por parte de profissionais não-diplomados.
Claro, podem dizer que eu me sinto como boi tangido, que estou defendendo reserva de mercado e que não parei para pensar que essa é uma oportunidade da classe como um todo se unir, uma oportunidade de jornalistas diplomados ou não darem as mãos e se revelarem uma classe forte e capaz de exigir seus direitos trabalhistas. Lamento, mas eu simplesmente não acredito na possibilidade e meu ponto de vista não leva em conta reserva de mercado (acho isso ilegítimo nas argumentações). Se os sindicatos, a Fenaj ou o que seja não conseguiram fazer isso antes, por que agora, com as opiniões tão polêmicas e divergentes, esses profissionais se uniriam? Pelo contrário, vejo que acabaram de ser criadas duas castas entre nós: os diplomados como brâmanes e os "precários" como intocáveis. Com preferência, por parte dos empresários, aos que cobrarem mais barato, logicamente. Qualidade vai pro lixo.
Ou seja, de uma forma ou de outra, a questão da qualidade em jornalismo esbarra com o diploma. Não entendeu? Se antes havia uma regulamentação mínima que cobrava o diploma e estabelecia piso salarial, agora, sem exigência do diploma, a empresa contrata quem cobrar menos. E quem não recebe o justo, não produz o necessário, ou da forma necessária. Daí a qualidade desse produto cai vertiginosamente.
É por isso que, diante do nosso panorama político, da nossa realidade social e conjuntura na qual se encontram os jornalistas brasileiros, diariamente aviltados como profissionais (duração de jornadas de trabalhos, horas extras não pagas, baixos salários), teremos uma depreciação do fazer jornalístico, que, provavelmente, acarretará na qualidade do que será produzido. Não acredito que os bons profissionais, que sabem o valor da longa jornada pela qual passaram desde o escolher da profissão à publicação de uma matéria, aceitaria condições precárias de trabalho. Logo, as vagas seriam cobertas justamente àqueles que se sujeitam aos assédios morais de trabalhar muito por tão pouco, dentre outras condições. E isso reflete justamente na qualidade do que será lido na manhã do dia seguinte.
Eis, então, meu dilema. Pois, por mais que entenda que para sermos jornalistas o diploma não seja condição sine qua non, entendo que a desobrigação dele abre brechas para a nossa exploração profissional de forma cada vez mais acentuada. Acredito que enquanto não forem estabelecidas justas e eficazes diretrizes de regulamentação da nossa profissão, não podemos esperar condições dignas para trabalhar em jornalismo sem a exigência de um diploma. Nunca, vejam bem, nunca a classe composta pelos jornalistas brasileiros demonstrou ser unida diante de qualquer situação. Não consigo vislumbrar que isso aconteça agora. Mas espero, contudo, estar profundamente equivocado.
É, gente, parece que não foi dessa vez que Vanessão recebeu o beijo da morte, como muitos diziam. Na verdade, acho que ela não recebeu foi mais 20 reais que ficaram devendo num programinha. Vídeo aparentemente fake, mas Patrícia é SIM a nosso Vanessão.
Guilherme é jornalista, mídia, supermídia, videomaker, designer, cozinheiro, intérprete de libras, modelo, manequim, ator de circo e palhaço de festa. Canta, dança e representa.